Poucos episódios do Carnaval brasileiro dos anos 1990 ficaram tão conhecidos quanto a fotografia que reuniu o então presidente da República, Itamar Franco, e a modelo Lilian Ramos no camarote presidencial da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.
O episódio aconteceu na madrugada de 14 de fevereiro de 1994, durante o Carnaval carioca. Itamar Franco estava no Sambódromo acompanhando os desfiles quando Lilian Ramos, que havia participado do desfile da Viradouro, entrou no camarote presidencial. Os dois foram fotografados conversando e próximos um do outro.
Uma das fotografias chamou particularmente a atenção. Lilian usava uma peça curta sobre uma meia-calça transparente e, pelo ângulo do registro, aparentava estar sem roupa íntima. A imagem foi publicada por jornais e revistas e rapidamente ganhou enorme repercussão no Brasil e também no exterior.

O que poderia ter permanecido apenas como uma fotografia curiosa de uma noite de Carnaval acabou se transformando em um assunto político. A presença do presidente ao lado da modelo e a repercussão da fotografia provocaram críticas de setores da sociedade e da classe política. Houve até manifestações defendendo que o episódio poderia justificar um pedido de impeachment, mostrando a dimensão que o caso alcançou naquele momento.
Itamar Franco, por sua vez, afirmou que não sabia que Lilian estava sem calcinha e que não tinha como controlar ou fiscalizar a roupa das pessoas que entravam no camarote. Em declarações à imprensa, procurou afastar qualquer interpretação de que tivesse cometido algum ato inadequado.
A repercussão acabou sendo muito maior do que provavelmente qualquer um dos envolvidos poderia imaginar. O episódio ocupou as páginas dos jornais durante vários dias e tornou-se uma das imagens mais lembradas do Carnaval daquele ano.
Para Lilian Ramos, as consequências também foram marcantes. A intensa exposição provocada pela fotografia afetou sua carreira no Brasil, e ela posteriormente se mudou para a Itália, onde continuou sua vida profissional. Em entrevista anos depois, afirmou que se sentiu injustiçada pela forma como o episódio foi tratado e declarou que, segundo sua versão, ela utilizava um collant cor da pele, o que teria contribuído para a impressão causada pela fotografia.
Mais de três décadas depois, a fotografia continua sendo lembrada como um daqueles episódios inusitados que acabam entrando para a memória política e cultural do país. Independentemente das interpretações feitas na época, o caso mostra também como uma única imagem, em plena era dos jornais impressos e da televisão, podia ganhar proporções nacionais e até internacionais.
Hoje, olhando para aquele episódio com a distância do tempo, fica principalmente o registro de uma fotografia que se tornou um dos símbolos mais curiosos do Carnaval brasileiro de 1994 — e de uma época em que uma imagem publicada no jornal podia transformar um acontecimento de poucos segundos em assunto nacional durante semanas.
