Quem hoje percorre a Rua do Riachuelo, no Centro do Rio de Janeiro, talvez não imagine que essa importante via já teve um nome bastante curioso — e até mesmo macabro: Rua de Matacavalos.

A denominação, oficializada em 1848, fazia referência às condições difíceis do caminho, que era marcado por barrancos, atoleiros e trechos de terreno irregular. A passagem era especialmente complicada para os animais de carga e, segundo a tradição registrada nas fontes históricas, alguns acabavam feridos ou tão debilitados que precisavam ser sacrificados.
Mas a história do logradouro é ainda mais antiga. Antes de receber o nome de Matacavalos, o caminho teve diversas denominações, entre elas Caminho para o Engenho Pequeno, Caminho para São Cristóvão, Caminho da Bica e Caminho de Matacavalos. A existência de uma antiga chácara com uma bica destinada ao abastecimento de viajantes também contribuiu para algumas dessas denominações.
De Matacavalos a Riachuelo
O curioso nome, entretanto, não permaneceria por muito tempo. Em 1865, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro propôs a mudança da denominação para Rua do Riachuelo, em homenagem à vitória brasileira na Batalha Naval do Riachuelo, travada em 11 de junho daquele ano, durante a Guerra do Paraguai. Desde então, a via passou a ser conhecida oficialmente pelo nome que conserva até hoje.
A mudança de nome ocorreu em um período em que diversas ruas do Rio recebiam novas denominações relacionadas a acontecimentos e personagens importantes do Império.
Uma rua que entrou para a literatura
O antigo nome da rua também ficou eternizado na literatura brasileira. Machado de Assis utilizou a Rua de Matacavalos em diferentes momentos de sua obra.
Em Dom Casmurro, por exemplo, é na antiga Rua de Matacavalos que Bento Santiago recorda a casa onde passou parte de sua infância, ligada às suas lembranças de Capitu. O próprio narrador faz referência à antiga denominação da rua ao recordar o lugar onde viveu.
Assim, embora o nome Matacavalos tenha desaparecido das placas das ruas há mais de um século e meio, ele continua presente nas páginas de Machado de Assis e na memória histórica da cidade.
Um testemunho de outras épocas
A atual Rua do Riachuelo ainda guarda vestígios de seu passado. Entre eles está o chafariz construído em 1817, por determinação do Intendente-Geral de Polícia, Paulo Fernandes Viana, destinado ao abastecimento de água da região.
O local também está associado a outros importantes marcos históricos e arquitetônicos, como a antiga residência do General Osório, a Capela do Menino Deus e o Clube dos Democráticos.
Você sabia?
Quando passa pela atual Rua do Riachuelo, no Centro do Rio, você está caminhando por uma via que já foi conhecida como Rua de Matacavalos — um nome que, por sua origem curiosa, poderia facilmente causar estranheza aos cariocas de hoje.
A história dos nomes das ruas revela, muitas vezes, detalhes curiosos sobre a própria evolução da cidade. No caso de Matacavalos, uma simples denominação de rua acabou preservando na memória carioca as dificuldades enfrentadas por homens e animais que percorriam aquele antigo caminho.
Hoje, a placa diz Riachuelo. Mas, para quem conhece a história, aquele caminho ainda guarda um pouco da antiga Rua de Matacavalos.