Você não vai acreditar no combustível deste Chevrolet 1951 que ainda roda em Santa Catarina

Chevrolet 1951
Chevrolet 1951

Em Benedito Novo, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, existe um automóvel que chama a atenção por onde passa. À primeira vista, trata-se de um clássico Chevrolet 1951. Mas há algo muito diferente nesse veículo: ele pode andar usando lenha como combustível.

A explicação está em um antigo sistema conhecido como gasogênio, tecnologia que ganhou grande importância principalmente durante a Segunda Guerra Mundial, quando a escassez e o racionamento de gasolina obrigaram muitos países a buscar alternativas aos combustíveis derivados do petróleo.

O princípio é curioso. A lenha é colocada em um grande compartimento metálico instalado na parte traseira do automóvel. Por meio de uma queima controlada, a madeira é transformada em uma mistura de gases combustíveis. Esse gás passa por filtros e tubulações e, posteriormente, é conduzido até o motor, onde passa a alimentar a combustão.

O resultado é um automóvel que, em vez de depender exclusivamente da gasolina, consegue utilizar lenha como fonte de energia.

Uma história que começou na década de 1970

O Chevrolet 1951 de Benedito Novo não foi originalmente fabricado para funcionar dessa maneira. A adaptação foi realizada artesanalmente na década de 1970 por Arnoldo Schmidt, com a participação de seu filho, utilizando como inspiração o sistema de gasogênio que havia sido empregado décadas antes.

O equipamento tornou-se uma característica inseparável do veículo. Instalado na traseira, o grande reservatório metálico é praticamente impossível de passar despercebido e denuncia imediatamente que aquele não é um Chevrolet comum.

A engenhoca continua funcionando e o automóvel permanece ligado à família Schmidt, transformando-se ao longo dos anos em uma verdadeira atração de Benedito Novo. Quem conhece a cidade provavelmente já viu — ou pelo menos ouviu falar — do curioso carro que parece ter saído de outra época.

Como um carro consegue andar com lenha?

O segredo está justamente no gasogênio. A madeira não é simplesmente queimada para produzir calor e movimentar o veículo. O sistema realiza uma combustão controlada, com quantidade limitada de oxigênio, produzindo um gás combustível que pode ser aproveitado pelo motor de combustão interna.

Antes de sair andando, porém, é preciso acender a lenha e esperar que o sistema produza gás suficiente para alimentar o motor. Ou seja, não basta simplesmente colocar alguns pedaços de madeira no reservatório e girar a chave.

Essa característica torna o funcionamento bem diferente de um automóvel convencional.

Quanto de lenha é necessário?

A quantidade de lenha necessária e a autonomia podem variar conforme as condições de utilização. Há registros de aproximadamente 22 quilos de lenha para percorrer cerca de 60 quilômetros, enquanto outras reportagens sobre o veículo mencionam autonomia de 70 a 80 quilômetros com uma carga, dependendo das condições.

O Chevrolet também possui um pequeno tanque de gasolina, que permite utilizar o combustível convencional quando necessário.

Um carro diferente em todos os sentidos

O sistema de gasogênio não é apenas curioso. Ele também modifica o comportamento do automóvel. O equipamento instalado na traseira acrescenta bastante peso e o funcionamento com gás de madeira resulta em perda de potência em relação ao uso original com gasolina. Além disso, é necessário algum tempo para colocar o gasogênio em funcionamento antes de iniciar a viagem.

Mas talvez seja justamente essa combinação de improviso, conhecimento mecânico e criatividade que torne o veículo tão especial.

O que nasceu como uma solução para enfrentar dificuldades de combustível acabou se transformando, em Benedito Novo, em uma peça viva da memória local.

Hoje, décadas depois de sua adaptação, o Chevrolet 1951 continua despertando curiosidade por onde passa. Em uma época dominada por carros elétricos, híbridos e tecnologias cada vez mais sofisticadas, ele lembra que a busca por combustíveis alternativos não é nenhuma novidade.

E, em Benedito Novo, uma velha tecnologia do passado continua fazendo algo que parece inacreditável para muita gente: colocar um carro na estrada usando lenha como combustível.

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