Em 1º de fevereiro de 1980, o empresário blumenauense Adolfo Zanichelli e o piloto Félix Probst embarcaram em um bimotor Piper Comanche para uma viagem de volta a Blumenau. O avião decolou de São Paulo, mas nunca chegou ao Aeroporto Quero-Quero. Desde então, nenhum destroço da aeronave, nem qualquer vestígio dos dois ocupantes, foi localizado.

Uma viagem que terminou em mistério
Adolfo Zanichelli tinha 39 anos e era proprietário da Avicultura Coravi, empresa que possuía lojas e unidades em diferentes cidades do Vale do Itajaí. Naquele dia, ele havia viajado até Campinas, em São Paulo, para comprar insumos para seu negócio.
Depois de passar por uma manutenção preventiva em Sorocaba, o avião iniciou a viagem de retorno para Santa Catarina. A decolagem ocorreu por volta das 16 horas, com destino ao Aeroporto Quero-Quero, em Blumenau.
Antes da partida, o piloto Félix Probst chegou a telefonar para a esposa e pediu que ela o encontrasse no aeroporto por volta das 18 horas. O horário chegou, mas o avião não apareceu.
O que deveria ser apenas mais uma viagem acabou se transformando em um dos desaparecimentos aéreos mais intrigantes envolvendo Santa Catarina.
O último contato
O último contato conhecido com a aeronave ocorreu por volta das 17h30, quando o piloto manteve comunicação com a torre de controle do Aeroporto de Navegantes.
Pelas informações disponíveis naquele momento, acreditava-se que o bimotor estivesse voando entre o Paraná e Santa Catarina. Havia bastante nebulosidade na região, o que dificultava as condições de visibilidade.
Depois daquele contato, silêncio.
Nenhuma nova comunicação foi registrada e o avião não chegou a Blumenau.
A aeronave era um Piper Comanche, identificado pelo prefixo BXJ. Apesar das buscas realizadas posteriormente, jamais foram encontrados seus destroços.
As buscas começaram
Com o desaparecimento, o Ministério da Aeronáutica mobilizou equipes para tentar localizar a aeronave.
Uma das áreas investigadas foi a Serra do Manso, na região entre Jaraguá do Sul e Corupá. As buscas foram direcionadas para aquele setor depois que uma testemunha relatou ter visto uma aeronave voando em baixa altitude.
Durante aproximadamente três meses, equipes procuraram pelo avião, pelo piloto e pelo empresário, mas não encontraram qualquer sinal que pudesse esclarecer o que havia acontecido.
A imprensa da época também acompanhou os trabalhos. Houve inclusive sobrevoos realizados para auxiliar as equipes de busca na tentativa de encontrar algum vestígio do Piper Comanche.
Um avião teria caído no mar?
Outra informação surgiu durante as buscas e aumentou ainda mais o mistério.
Um pescador afirmou ter visto uma aeronave cair no mar, na região de Navegantes, justamente no dia do desaparecimento.
A possibilidade chegou a ser investigada, mas nenhuma evidência foi encontrada para confirmar que o avião de Zanichelli e Probst tivesse caído naquele local.
Assim, diferentes possibilidades foram consideradas, mas nenhuma delas levou à localização da aeronave.
A família continuou procurando
As buscas oficiais não trouxeram respostas. A família de Adolfo Zanichelli, porém, não desistiu.
Por conta própria, familiares realizaram novas buscas que se estenderam por aproximadamente dois anos. Mesmo com todo o esforço, nenhum destroço, objeto pessoal ou outro vestígio dos desaparecidos foi encontrado.
O tempo passou, mas a ausência de qualquer evidência concreta fez com que o caso permanecesse envolto em dúvidas.
Em 2006, Douglas Zanichelli, filho de Adolfo, falou sobre o desaparecimento e afirmou não ter dúvidas de que o pai havia morrido. Segundo ele, Adolfo estava no auge de sua vida profissional e não teria motivos para simplesmente abandonar sua família e a empresa, que era considerada o sonho de sua vida.
Um mistério que permanece
A Avicultura Coravi chegou a ter cerca de 180 funcionários, mas encerrou suas atividades no início da década de 1980. Enquanto isso, o destino do avião que levava seu proprietário continuou desconhecido.
Hoje, 46 anos depois, permanece a mesma pergunta: o que aconteceu com o Piper Comanche BXJ?
Teria ocorrido um acidente em alguma área de mata ou serra? O avião teria caído no mar? As condições meteorológicas teriam contribuído para o desaparecimento?
São possibilidades, mas nenhuma foi comprovada.
O fato é que, apesar das buscas realizadas pelas autoridades, dos esforços da família e dos relatos de testemunhas, o avião nunca foi encontrado.
Adolfo Zanichelli e Félix Probst partiram de São Paulo com destino a Blumenau.
E simplesmente desapareceram.
Até hoje, o destino final dos dois homens e da aeronave permanece um mistério.