Conheça um pouco mais do bairro de Santa Teresa, que desde o início do século XVII se chamava de Morro de Nossa Senhora do Desterro e somente ao final do século XVIII passou a se chamar de Morro de Santa Teresa mais especificamente em função do convento de mesmo nome ali instalado.
O bairro
Santa Teresa é um bairro da região central, de classe média, da cidade do Rio de Janeiro. O bairro conserva muitas das construções históricas do século XIX, além de conservar até os dias atuais o bonde como meio de transporte.
O bairro faz limite com os bairros da Glória, Catete, Laranjeiras, Cosme Velho, Botafogo, Humaitá, Alto da Boa Vista, Centro, Lapa, Rio Comprido, Catumbi e Cidade Nova.
História do bairro
Na década de 1620, Antônio Gomes do Desterro constrói uma ermida consagrada a Nossa Senhora do Desterro. A invocação deu nome ao morro, que então passou a ser chamado de “Morro do Desterro”.
Aos 15 de outubro do ano de 1715, no mesmo dia em que a Igreja celebra a festa daquela santa reformadora da ordem dos carmelitas, nasceu na cidade do Rio de Janeiro uma menina que recebeu o nome de Jacinta, filha de José Rodrigues Aires e Maria de Lemos Pereira.
Foi Jacinta de S. José e a sua irmã Francisca de Jesus Maria que com muita devoção foram responsáveis pela fundação do primeiro convento de carmelitas descalças no Brasil.
No dia 21 de junho de 1750, foi lançada a primeira pedra do Convento de Santa Teresa, no mesmo local onde existia a ermida anteriormente citada.
Francisca de Jesus Maria faleceu ao 14 de julho de 1748 e, Jacinta de S. José aos 2 de outubro de 1768. No entanto, nenhuma das duas foram efetivamente carmelitas descalças, porém as verdadeiras fundadoras do Carmelo brasileiro.
Santa Teresa, por sua situação e clima ameno, foi sendo ocupada por famílias abastadas que fugiam da insalubridade e das epidemias do Rio colonial como por exemplo a febre amarela.
Em 1850, foi aberto novo acesso pela Rua Dona Luísa (atual Cândido Mendes). Havia várias chácaras, como a chácara de Dona Luísa e as chácaras das Neves, do Castro, da Lagoinha, todas posteriormente loteadas. Do desmembramento das propriedades de Francisco Paula Matos (1845) e Francisco Ferreira das Neves (1853), surgiram as Ruas Oriente, do Progresso, das Neves, Paula Matos, Paraíso, Largo das Neves, entre outras.
Bondes de Santa Teresa
Impossível falar de Santa Teresa e não citar a sua relação com os bondes.
Para facilitar o acesso a Santa Teresa, a Companhia Ferro-Carril de Santa Teresa (fundada em 1749) iniciou a construção da primeira linha de bondes puxados a burros, integrada ao plano inclinado, que seguia até o Largo do França. Já com o nome de “Companhia Ferro Carril Carioca”, foi inaugurada, em 1896, a primeira linha de bondes elétricos em Santa Teresa, que saía do Largo da Carioca, passava sobre os Arcos da Lapa, e seguia até o Largo do França. Em 1897, a linha foi estendida até o Silvestre e Paula Matos, consolidando a ocupação do bairro.
Os bondes eram inicialmente pintados de verde, porém em virtude de reclamações sob alegação que estes “sumiam” em meio a vegetação, os mesmos foram pintados de amarelo.
No ano de 2005, os bondes deixaram de circular por diversos meses, devido a uma greve dos seus técnicos e condutores.
Em 2011, um turista francês morreu ao cair dos Arcos da Lapa. Em 27 de agosto do mesmo ano ocorre outro acidente, quando o bonde descarrilou e se chocou fortemente com um poste, matando 6 pessoas (incluindo o condutor) e deixando mais de 50 passageiros feridos.
Atualmente, os bondes e seus trilhos foram totalmente substituídos e se encontram em testes voltando aos poucos ao seu funcionamento normal.
Carnaval e o Bloco das Carmelitas
O Bloco das Carmelitas fundado em 1990, desfila em Santa Teresa, onde fica o Convento de Carmelitas, origem do seu nome.
O bloco foi criado a partir de uma anedota contada por um morador do bairro, que disse ter visto uma freira pular o o muro do convento para se misturar aos foliões. Por isso, todo ano são dois desfiles: um na sexta-feira, no início do Carnaval, marcando a data em que a freira fujona cai no samba, e o segundo na terça-feira, quando ela tem a oportunidade de voltar ao convento sem chamar atenção.
Muitos participantes usam fantasias de freira, para que ninguém identifique a fujona.
Logradouros do bairro
Rua Almirante Alexandrino era antiga rua do Aqueduto, e foi rebatizada em homenagem ao Almirante Alexandrino Faria de Alencar, Ministro da Marinha de Rodrigues Alves (1902/06), que nela residiu e faleceu. Moraram nesta rua alguns famosos e conhecidos como o pintor Eliseu Visconti, a família La Sagne (dona das lojas Mesbla), o ex-presidente Fernando Collor e sua primeira esposa, o ex-prefeito Henrique Dodsworth.
Rua Murtinho Nobre foi batizada em homenagem ao fundador do Touring Club, que nela residiu. Nela também morou, Joaquim Murtinho e, depois de sua morte, sua sobrinha, Laurinda Santos Lôbo, onde às sextas feiras dava recepções magníficas a intelectuais e figuras políticas da Belle Époque. Hoje é o Parque das Ruínas. Na rua também morou o industrial e promotor cultural Raymundo Ottoni de Castro Maia, cuja casa, erguida em 1958, é hoje o belo museu Chácara do Céu.
Rua Joaquim Murtinho é antiga rua do Ferrocarril, aberta em 1896 nas terras do Convento de Santa Teresa pela Companhia Ferro Carril Carioca. Joaquim Duarte Murtinho (1848-1911) era engenheiro, professor da Escola Politécnica e médico homeopata, político, Senador e Ministro da Fazenda. Foi de 1893 a 1906 Presidente da Cia. Ferro Carril Carioca, sucedendo seu irmão, o engenheiro João Murtinho.
Rua Monte Alegre foi aberta em meados do século XIX, sendo que seu trecho mais antigo, que desce o morro, data ainda do século XVII. Nela residiram, dentre outros, Benjamin Constant; Senador Pinheiro Machado; a Baronesa de Parina; o Senador Jurandir Pires Ferreira; o Comendador e construtor Antônio Januzzi; o ex-Secretário de Segurança Hélio Saboya. Nela existe o Centro Cultural Laurinda Santos Lôbo; a Biblioteca Regional do bairro e a magnífica chácara afazendada da família Veiga.
Rua Áurea aberta na metade do século XIX onde foi erguida a igreja Matriz de Santa Teresa do Menino Jesus, em estilo Neogótico.
Rua Paula Mattos foi o ponto de origem do bairro, aberta em 1842 em terras do chacareiro Francisco de Paula Mattos, grande proprietário local, e que doou no ano de 1851 uma fonte d’água em sua rua para a população, permitindo o rápido desenvolvimento de Santa Teresa.
Rua Paschoal Carlos Magno foi batizada em homenagem ao embaixador e promotor teatral Paschoal Carlos Magno.
Largo do Curvelo foi assim batizado em homenagem ao Barão do Curvelo, o português Comendador Joaquim José de Meirelles Freire, que residiu nas proximidades. No local ainda existe a famosa “casa navio”, assim batizada a residência de Abigail Seabra de Paula Buarque, primeira casa moderna do bairro, erguida em 1938.
Largo dos Guimarães batizado em homenagem ao comendador e construtor português Joaquim Fonseca Guimarães.
Largo das Neves aberto em 1852 pelo comendador Francisco Ferreira das Neves, que doou a imagem e construiu de 1854 a 1860 a capelinha de Nossa Senhora das Neves, em estilo neogótico, e que substituiu um oratório que ali existia desde 1814. Os bares em volta eram frequentados por diversas figuras famosas, desde o poeta Vinícius de Morais, passando pelo escritor Rubem Braga e o literato Othon Costa; até o aventureiro Ronald Biggs (o do assalto ao trem pagador), e que morou até pouco tempo no mesmo largo.
Ladeira de Santa Teresa aberta na década de 1620 por Antônio Gomes do Desterro, onde ergueu a capelinha de Nossa Senhora do Desterro, origem do Convento de Santa Teresa. essa ladeira, outrora, já era chamada de Caminho do Desterro.
Ladeira do Castro batizada em homenagem ao médico e comendador Francisco Mendes de Oliveira Castro, que ali residiu.
Pontos turísticos do bairro
- Castelo Valentim
- Convento de Santa Teresa
- Escadaria do Convento de Santa Teresa (Selarón)
- Museu de Arte Chácara do Céu
- Parque das Ruínas
- Largo do Curvelo
- Centro Cultural Laurinda Santos Lobo
Estes são apenas alguns dos pontos turísticos do bairro. Vale um passeio para apreciar, mas, reserve um dia inteiro para aproveitar todas as atrações.
Moradores ilustres
Algumas pessoas ilustres e famosas que residem ou residiram no bairro:
- Irineu Evangelista (nobre e empresário)
- Benjamin Constant (estadista e militar)
- Benjamin Eurico Cruz (político)
- Bibi Ferreira (atriz e cantora)
- Carmem Miranda (atriz e cantora)
- Jorge Selarón (artista plástico)
- Pixinguinha (músico)
Fotos
Vídeos

Voces saberiam me dizer onde ficava localizado o Hotel da Vista Alegre, na rua aqueduto 68?
Olá Júlio, eu já li a respeito sobre um hotel grandioso que tinha nas proximidades de onde é hoje o condomínio equitativa. Mas não lembro o nome, talvez seja este. Abçs
Gostaria de saber onde morou Irineu evangelista, o Barão de Mauá.
Morei na rua monte alegre desde minha infancia ate os meus dezoito anos
Mesmo me mudando para outro bairro nao esqueci santa teresa hoje moro
Em outro estado mas nao posso deixar de pensar neste bairro onde tudo
Comecou amor eterno por santa teresa
Qual era o nome antigo da Rua Paschoal Carlos Magno em Santa Teresa?