Durante décadas, o Elevado da Perimetral fez parte da rotina de milhares de cariocas. Para alguns, era uma solução indispensável para atravessar a região central do Rio de Janeiro. Para outros, uma gigantesca estrutura de concreto e aço que escondia parte da paisagem histórica da cidade.
Sua demolição, iniciada em 2013, marcou uma transformação importante na Zona Portuária. Mas, em meio às obras que mudaram a região, aconteceu algo difícil de acreditar: seis enormes vigas de aço desapareceram de um depósito no Caju, sem que ninguém conseguisse explicar como foram retiradas.

Cada peça pesava aproximadamente 20 toneladas e media cerca de 40 metros de comprimento. Juntas, representavam aproximadamente 120 toneladas de aço.
Como estruturas tão grandes puderam desaparecer? E o que aconteceu com elas?
A Perimetral: uma estrutura que marcou a paisagem carioca
O Elevado da Perimetral foi uma das principais vias expressas do Rio de Janeiro durante décadas. Sua estrutura ligava importantes pontos da região central e portuária, facilitando o deslocamento de veículos entre diferentes áreas da cidade e os acessos à Ponte Rio-Niterói.
Construído por etapas, com destaque para a expansão realizada na década de 1970, o elevado tornou-se parte da paisagem urbana carioca. Suas vigas metálicas sustentavam uma extensa pista elevada, que passava por áreas históricas e portuárias.
Com o passar dos anos, porém, a estrutura passou a ser vista também como uma barreira visual entre a cidade e sua região portuária.
A proposta de revitalização urbana conhecida como Porto Maravilha previa a transformação daquela área, com novas vias, espaços públicos e a substituição de trechos do elevado por túneis.
A demolição começou em etapas e ganhou destaque em novembro de 2013, quando a retirada da estrutura alterou definitivamente a paisagem da região.
O que fazer com milhares de toneladas de aço?
Demolir um elevado daquele porte não significava simplesmente destruir concreto e jogar metal fora.
A estrutura continha grandes quantidades de aço, parte dele em boas condições para reaproveitamento. O material precisava ser retirado, separado, transportado e destinado a outras obras ou à comercialização.
Um dos materiais utilizados era o aço corten, conhecido por sua maior resistência à corrosão atmosférica em condições adequadas. Era um material valioso não apenas pela quantidade de metal, mas também pelas características técnicas das estruturas.
O reaproveitamento representava uma oportunidade de reduzir desperdícios e dar uma nova finalidade a componentes de uma obra que estava sendo desativada.
Na época, a Prefeitura do Rio planejou destinar parte das vigas a outras intervenções públicas e vender outras estruturas em leilões.
Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em novembro de 2013, um dos leilões previa a venda de 384 vigas e estruturas associadas, com peso total estimado em 9 mil toneladas.
Ou seja, o material retirado da Perimetral não era apenas entulho: constituía um patrimônio de interesse econômico e técnico.
O desaparecimento de seis vigas no Caju
O episódio que transformou a demolição da Perimetral em um caso policial veio a público em outubro de 2013.
Seis vigas retiradas do elevado haviam sido armazenadas em um terreno no bairro do Caju, na Zona Portuária. Quando o desaparecimento foi constatado, as estruturas já não estavam mais no local.
As dimensões impressionavam: cada viga tinha cerca de 40 metros de comprimento e pesava aproximadamente 20 toneladas.
Imagine tentar transportar uma estrutura dessas. Não estamos falando de barras de ferro que poderiam ser colocadas em uma caminhonete. Eram peças gigantescas, que exigiriam planejamento, equipamentos adequados e uma operação logística de grande porte caso fossem removidas inteiras.
O sumiço gerou repercussão na imprensa e provocou cobranças por explicações sobre a segurança do depósito.
Na ocasião, o então prefeito Eduardo Paes classificou o episódio como inacreditável. A concessionária Porto Novo, responsável pela guarda do material, foi cobrada a esclarecer o ocorrido, e a Prefeitura determinou providências para apurar o desaparecimento.
A grande questão era evidente: como seis estruturas tão pesadas e volumosas poderiam ter sido retiradas sem que o responsável pela guarda percebesse o que estava acontecendo?
Quanto valiam as vigas desaparecidas?
Uma das particularidades desse caso é a diferença entre o valor do material como metal e o valor econômico de uma estrutura projetada para uma finalidade específica.
As estimativas divulgadas na imprensa em outubro de 2013 variavam bastante conforme o critério utilizado.
O engenheiro Jaques Sherique, então vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ), estimou em aproximadamente R$ 100 mil o valor das 120 toneladas de aço desaparecidas.
Outras reportagens da época mencionaram valores muito superiores, chegando a R$ 14 milhões. Essa diferença exige cautela: o valor atribuído às estruturas em avaliações técnicas ou reportagens não deve ser confundido automaticamente com o preço de venda como sucata.
Uma viga de aço corten com dezenas de metros de comprimento não equivale simplesmente a uma determinada quantidade de metal vendido por peso. Sua fabricação, suas características estruturais e sua possível reutilização em obras também têm importância econômica.
Por isso, o caso chamou atenção não apenas pelo volume de material desaparecido, mas também pelas dúvidas sobre a destinação de componentes pertencentes a uma obra pública.
O aço da Perimetral ganhou uma segunda vida?
Apesar do desaparecimento das seis vigas, outras estruturas retiradas do elevado tiveram destinação conhecida.
Parte do material foi encaminhada para reaproveitamento em obras de infraestrutura. Entre os exemplos noticiados estavam vigas destinadas a intervenções de drenagem urbana, incluindo obras relacionadas a reservatórios subterrâneos.
A reutilização de estruturas metálicas pode reduzir a necessidade de fabricar novos componentes e aproveitar materiais que ainda apresentam condições de uso.
No caso das vigas da Perimetral, entretanto, é importante não confundir o reaproveitamento de parte do material com o destino das seis peças desaparecidas. São situações distintas.
Enquanto algumas estruturas foram destinadas a outras intervenções ou colocadas à venda, aquelas seis vigas continuaram no centro de uma investigação.
A investigação conseguiu descobrir o que aconteceu?
O desaparecimento foi investigado pela Polícia Civil, com participação do Ministério Público no acompanhamento do caso.
As autoridades buscaram esclarecer as circunstâncias do furto, identificar possíveis responsáveis e compreender como as estruturas haviam sido retiradas do terreno.
O caso chegou a ter repercussão novamente em 2016, quando uma reportagem da Agência Pública revisitou as dificuldades da investigação.
Em fevereiro de 2020, o UOL publicou uma nova reportagem sobre o episódio e informou que o inquérito havia sido arquivado definitivamente em junho de 2019, sem identificação dos autores do furto.
Segundo a informação divulgada pelo Ministério Público, as medidas investigatórias adotadas não permitiram chegar à autoria.
Isso significa que o caso não terminou com uma explicação conclusiva sobre quem levou as vigas ou qual foi o destino final do material.
Também é importante distinguir duas coisas: o arquivamento da investigação por falta de identificação dos responsáveis não significa que o desaparecimento tenha sido esclarecido. Significa que as apurações não conseguiram estabelecer a autoria.
Um mistério de 120 toneladas na história recente do Rio
A demolição do Elevado da Perimetral representou uma mudança profunda na paisagem da Zona Portuária. A antiga estrutura desapareceu, novas vias foram implantadas e parte de seus materiais ganhou outras destinações.
Mas o caso das seis vigas deixou uma pergunta que continua intrigando quem conhece essa história.
Não eram objetos pequenos, fáceis de esconder ou transportar sem planejamento. Eram estruturas de aço com aproximadamente 40 metros de comprimento e peso individual de 20 toneladas.
Apesar das investigações, o episódio permaneceu sem solução quanto à autoria, conforme as informações publicadas em 2020.
Mais de uma década depois, o desaparecimento das vigas continua sendo um capítulo curioso e preocupante da história das grandes obras públicas cariocas.
A Perimetral saiu de cena, mas a história de suas vigas desaparecidas permaneceu.
E você, lembra da antiga Perimetral?
Você chegou a passar pelo elevado antes da demolição? Lembra de como era a paisagem da região portuária ou acompanhou as notícias sobre o desaparecimento das vigas em 2013?
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Fontes e links adicionais:
- O desaparecimento das vigas em 2013 – Folha de S.Paulo — 9 de outubro de 2013 – Reportagem contemporânea com as dimensões das vigas, a estimativa de valor e as primeiras informações sobre o desaparecimento.
- O caso revisitado anos depois – Agência Pública — 30 de maio de 2016 – Uma investigação jornalística que revisita o desaparecimento e as dificuldades para esclarecer o caso.
- O desfecho da investigação – UOL Notícias — 19 de fevereiro de 2020 – A reportagem informa que a investigação foi arquivada em definitivo em junho de 2019, sem identificação dos autores.
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O roubo contou com conivência ($) dos órgãos públicos que poderiam fiscalizar o roubo, essa é a verdade. E as vigas podem estar até hoje em qualquer lugar amplo do estado do RJ, inteiras ou sendo cortadas e vendidas.