A “Maria Gorda” é um baobá — árvore majestosa localizada na Praia dos Tamoios, bem próximo à esquina com a Ladeira do Vicente. Originária das savanas africanas, a espécie também é famosa por sua presença no asteroide B-612, da obra O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. Na Ilha de Paquetá, a árvore é conhecida não apenas por ser uma das mais imponentes representantes da flora local e pela beleza de suas formas e flores, mas principalmente pela lenda que se formou ao seu redor.

Maria Apolinária não se conformava com a escravidão e, sobretudo, com o que considerava a ingratidão dos senhores brancos. Eles moravam nas casas construídas pelos negros, caminhavam pelas ruas abertas por eles, alimentavam-se do que era plantado e preparado por mãos negras e desfrutavam do fruto daquele trabalho forçado — contudo, não demonstravam um único gesto de gratidão que preservasse a memória da contribuição africana na ilha.

Por isso, Maria Apolinária afirmava com convicção que deixaria uma marca na história. Dizia que, ao morrer, pediria aos seus orixás que enraizassem na ilha uma lembrança eterna da África negra. Se essa memória não fosse reconhecida nos nomes das ruas, das praças ou dos monumentos, seria eternizada pela própria natureza de Paquetá.
E assim teria acontecido: numa manhã de primavera, a rede de Maria Apolinária na senzala amanheceu vazia, e ela nunca mais foi vista. Naquele mesmo dia, em frente à casa onde ela servia, notou-se o surgimento de um pequeno arbusto até então inexistente na ilha.
Curiosamente, ao contrário do que ocorre nas savanas africanas — onde os baobás crescem em grupo —, este era um exemplar solitário.
Dizem os antigos que, no mesmo dia em que Maria Apolinária partiu, a “Maria Gorda” nasceu, fincando para sempre raízes profundas da África no solo de Paquetá.
A História por trás da Lenda: Fatos e Curiosidades
Para além da beleza do mito popular, o baobá “Maria Gorda” carrega consigo um valor histórico e cultural inestimável para a cidade do Rio de Janeiro:
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Patrimônio Tombado: Reconhecida por sua relevância e imponência (com mais de 7 metros de circunferência de tronco, plantada em 1697), a árvore foi oficialmente tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC) em 1967.
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A Trova da Sorte (e da Maldição): Em seu tronco, há uma famosa placa de ferro com uma trova popular que convida os visitantes a um gesto de carinho e respeito:
“Sorte por longo prazo… / A quem me beija e respeita. / Mas sete anos de atraso… / A cada maldade a mim feita.”
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Superstição Local: Devido a essa inscrição, tornou-se tradição entre moradores e turísticas dar um beijo ou carinho no tronco da “Maria Gorda” em busca de proteção e boa sorte.
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Resistência e Preservação: Seja pela ação humana ou pelo tempo, o baobá da Praia dos Tamoios permanece como um dos pontos turísticos e afetivos mais emblemáticos da Ilha de Paquetá, unindo a botânica africana, a história do Rio e o folclore carioca.
