Na madrugada de 30 de março de 1972, a Baixada Fluminense viveu um dos capítulos mais dramáticos da história industrial do Brasil. A Refinaria Duque de Caxias (REDUC), inaugurada no início da década anterior e orgulho da indústria petrolífera nacional, tornou-se o cenário de um desastre que marcaria para sempre a memória dos trabalhadores e dos moradores da região.

A Sequência dos Fatos: O Vazamento e o Caos
A tragédia começou a se desenhar ainda na tarde do dia 29 de março. Durante manobras operacionais de drenagem de água em um dos tanques esféricos de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), ocorreu um vazamento maciço de gás. Ao entrar em contato com a atmosfera e expandir-se rapidamente, o GLP provocou o congelamento da válvula, impedindo seu fechamento manual pelos operadores.
À medida que as horas passavam, uma imensa nuvem inflamável se espalhou pelo complexo e ultrapassou os limites da refinaria. Brigadistas e bombeiros lutavam contra o tempo lançando água para resfriar as esferas e diluir o gás, mas a temperatura e a pressão no local continuavam a subir.
Por volta das 0h50 da madrugada do dia 30, veio a primeira e mais forte explosão. O impacto transformou a noite em dia. Nas horas seguintes, às 1h30 e às 2h30, outras duas grandes explosões devastaram a área de armazenamento de GLP.
O Impacto da Explosão
A força do deslocamento de ar e o calor gerado foram avassaladores:
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Bolas de fogo e destruição: As labaredas atingiram centenas de metros de altura. Partes dos tanques de aço de dezenas de toneladas foram rasgadas e arremessadas a mais de um quilômetro de distância, alcançando bairros vizinhos como Campos Elíseos.
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Pânico nas rodovias: O estrondo assustou motoristas na Rodovia Washington Luís. Muitos abandonaram seus veículos na pista e correram junto aos moradores em busca de abrigo.
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Vítimas e comoção: O acidente deixou cerca de 38 a 42 mortos e dezenas de feridos gravemente queimados. Os relatos da imprensa da época descreviam o horror nos hospitais, onde médicos e socorristas se mobilizavam em um cenário de dor extrema.
Entre os relatos marcantes daquela noite, destaca-se a atitude heroica de operadores e brigadistas que, no meio do fogo, tentaram conter o avanço das chamas para evitar que a explosão atingisse outras unidades do complexo e causasse uma tragédia ainda maior.
Memória e Segurança Industrial
O acidente na REDUC em 1972 tornou-se um divisor de águas na indústria química e petrolífera brasileira. A catástrofe evidenciou a necessidade urgente de reformular protocolos de emergência, melhorar o treinamento de operadores e implementar novos sistemas automatizados de segurança e mitigação de riscos.
Relembrar a história da REDUC em 1972 é honrar a memória dos petroleiros e moradores que perderam a vida naquela madrugada, garantindo que a busca por condições mais seguras de trabalho seja uma prioridade contínua na indústria nacional.
Para entender em detalhes a dinâmica física e técnica desse acidente histórico, você pode assistir ao Trabalho sobre o Acidente da Refinaria Duque de Caxias, um vídeo educativo que explica os fatores operacionais e o efeito químico que causaram as explosões na refinaria em 1972:
