Por volta de 1995, era comum encontrar, pelas ruas da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, um homem que se tornou bastante conhecido entre os moradores da região. Chamava a atenção por desenhar figuras curiosas nas calçadas, utilizando giz ou gesso, e por fazer longos discursos que, para muitos, eram difíceis de compreender. Em diversos momentos, interrompia suas falas com um forte e prolongado grito de “Simmm!”, característica que acabou lhe rendendo um apelido entre a população.
Durante seus discursos, costumava defender as crianças e proferir palavras de ordem relacionadas à proteção dos mais vulneráveis. Apesar de seu comportamento incomum, era reconhecido por não demonstrar agressividade nem causar qualquer tipo de mal às pessoas.
Segundo relatos de moradores que conviveram com ele, tratava-se de uma pessoa de grande cultura e inteligência, que possuía amplo conhecimento geral e dominava outros idiomas. Também circulava a história de que seus transtornos teriam se iniciado após um episódio extremamente traumático: o assassinato de sua esposa e de seus filhos durante um assalto à residência da família. Entretanto, essa informação faz parte da tradição oral e não foi possível confirmá-la por meio de fontes documentais.
Nos momentos de maior lucidez, era descrito como uma pessoa educada, gentil e muito comunicativa, capaz de conversar sobre diversos assuntos, inclusive temas da atualidade. Em outras ocasiões, porém, apresentava mudanças bruscas de comportamento em decorrência de seus transtornos, passando a agir de forma bastante diferente. Ainda assim, segundo aqueles que o conheceram, mantinha um comportamento respeitoso e amigável.
Informações encontradas posteriormente na internet e em redes sociais indicam que seu nome seria Eduardo. Há também relatos de que, nos últimos anos de sua vida, frequentava a Paróquia São José Operário, onde teria recebido acolhimento e apresentado significativa melhora em seu estado de saúde. As mesmas fontes afirmam que ele já é falecido.
Embora parte dessas informações permaneça sem comprovação documental, sua presença marcou a memória de muitos moradores da Ilha do Governador. A lembrança de Eduardo permanece preservada por meio das histórias transmitidas de geração em geração, compondo um dos muitos personagens que fazem parte da memória afetiva e da história cotidiana do bairro.
