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A Lealdade Além do Tempo: A História de Branquinha, a Anja Guardiã de Avaré

Há histórias que desafiam a nossa compreensão sobre a profundidade do afeto animal, e a de Branquinha, a emblemática cachorrinha do Cemitério Municipal de Avaré (SP), é um desses relatos que merecem ficar gravados na memória coletiva.

Tudo começou no início dos anos 2000, quando o tutor de Branquinha faleceu e foi sepultado no cemitério da cidade. Desconsolada, a vira-lata de pelagem clara recusou-se a aceitar a separação. Ela seguiu o cortejo fúnebre e, a partir daquele dia, fez do campo-santo a sua eterna morada.

O Cotidiano entre as Almas e os Vivos

Nos primeiros meses, funcionários e visitantes notavam a figura esguia e atenta que vagava entre as alamedas, repousando quase sempre próxima à sepultura do seu antigo companheiro. Com o passar do tempo, a tristeza inicial deu lugar a uma vocação única: Branquinha tornou-se a recepcionista e guardiã do local.

Um Legado de Amor Incondicional

Branquinha viveu por anos no cemitério, tornando-se uma verdadeira lenda viva da cidade e símbolo da fidelidade canina — uma versão avareense do famoso Hachiko japonês.

Sua trajetória permanece como um lembrete comovente de que o amor e a lealdade transcendem qualquer barreira, inclusive a própria morte. Para quem visita o Cemitério Municipal de Avaré, a lembrança de Branquinha continua viva em cada corredor e na memória daqueles que tiveram a sorte de cruzar com seu olhar sereno e acolhedor.

Homenagem

Em julho de 2013, cerca de dois meses após o falecimento da cachorrinha (ocorrido em maio de 2013), foi inaugurada uma estátua em tamanho natural da Branquinha na entrada do Cemitério Municipal de Avaré, no jardim localizado em frente ao velório municipal.

A homenagem foi idealizada por moradores locais sensibilizados com a sua história (com iniciativa da artista plástica e presidente da Casa de Artesanato de Avaré na época, Castorina Rodrigues) e confeccionada pelo escultor Florisval Tegani.

A escultura fica sobre um pedestal contendo um túmulo simbólico e uma placa com a seguinte homenagem em primeira pessoa:

“Sou Branca, branquinha de alma e coração. Por muitas vezes, acompanhei suas aflições. Hoje, estou com os anjos em oração e para ser guardiã de todos que por aqui se encontrarão.”

A estátua e o monumento simbólico tornaram-se pontos de visitação e referência no cemitério, onde moradores e visitantes costumam parar para tirar fotos, prestar homenagens e deixar flores.

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