Entre tantos objetos que passaram pelas mãos da minha família, existe um que guardo com um carinho especial: esta caneta-tinteiro Compactor Minimax, fabricada no Brasil na década de 1960.
Ela pertenceu ao meu avô materno Martin Boddenberg e, anos atrás, tive a alegria de recebê-la como lembrança. Não conheço a história dessa caneta antes de chegar até mim. Meu avô era um homem de poucos estudos, mas de muito trabalho, honestidade e sabedoria de vida. Talvez tenha assinado documentos importantes, escrito cartas ou apenas registrado momentos do cotidiano. Isso eu nunca saberei.
Alguns colecionadores já me ofereceram uma boa quantia por ela, mas jamais pensei em vendê-la. Seu verdadeiro valor não está na raridade nem no mercado de antiguidades, e sim nas memórias e no vínculo afetivo que ela representa.
Mais do que uma caneta, ela é um elo entre gerações. Um pequeno objeto que atravessou décadas para me lembrar que as maiores heranças nem sempre são feitas de bens materiais, mas das histórias, das lembranças e do amor que permanecem vivos em nossa memória.
Há objetos que escrevem palavras. Outros escrevem a história de uma família. Esta caneta faz as duas coisas.