{"id":5497,"date":"2019-03-28T07:53:31","date_gmt":"2019-03-28T10:53:31","guid":{"rendered":"https:\/\/fatosfotoseregistros.kanenberg.com.br\/?p=5497"},"modified":"2026-10-18T12:10:48","modified_gmt":"2026-10-18T15:10:48","slug":"golpe-ou-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.kanenberg.com.br\/fatosfotoseregistros\/golpe-ou-democracia\/","title":{"rendered":"1964: quando um golpe de Estado foi anunciado como o restabelecimento da democracia"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cFugiu Goulart e a democracia est\u00e1 sendo restabelecida.\u201d<\/strong><br \/>\n<strong>\u201cEmpossado Mazzilli na presid\u00eancia.\u201d<\/strong><br \/>\n<strong>\u201cRessurge a democracia.\u201d<\/strong><br \/>\n<strong>\u201cCastelo Branco advertia os comandos: as For\u00e7as Armadas s\u00e3o para defender a lei, n\u00e3o a baderna.\u201d<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas s\u00e3o algumas das frases que estampavam a capa de <em>O Globo<\/em> de 2 de abril de 1964. Olhando para essa primeira p\u00e1gina mais de seis d\u00e9cadas depois, uma pergunta inevitavelmente surge: <strong>como um acontecimento que marcou o in\u00edcio de uma ditadura de 21 anos p\u00f4de ser apresentado, naquele momento, como o \u201cressurgimento da democracia\u201d?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta passa pela compreens\u00e3o do ambiente pol\u00edtico extremamente conturbado que o Brasil vivia naquele in\u00edcio de d\u00e9cada de 1960.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5498\" aria-describedby=\"caption-attachment-5498\" style=\"width: 2089px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/fatosfotoseregistros.kanenberg.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/golpe_1964.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"5498\" data-permalink=\"https:\/\/www.kanenberg.com.br\/fatosfotoseregistros\/golpe-ou-democracia\/reproducao-da-edicao-de-2-de-abril-de-1964-do-jornal-o-globo\/\" data-orig-file=\"https:\/\/www.kanenberg.com.br\/fatosfotoseregistros\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/golpe_1964.jpg\" data-orig-size=\"2089,3192\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;caption&quot;:&quot;Reprodu\\u00e7\\u00e3o da edi\\u00e7\\u00e3o de 2 de abril de 1964, do Jornal O Globo&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1522646849&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Reprodu\\u00e7\\u00e3o da edi\\u00e7\\u00e3o de 2 de abril de 1964, do Jornal O Globo&quot;}\" data-image-title=\"Reprodu\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o de 2 de abril de 1964, do Jornal O Globo\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Reprodu\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o de 2 de abril de 1964, do Jornal O Globo&lt;\/p&gt;\n\" data-large-file=\"https:\/\/www.kanenberg.com.br\/fatosfotoseregistros\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/golpe_1964-670x1024.jpg\" class=\"wp-image-5498 size-full\" src=\"https:\/\/www.kanenberg.com.br\/fatosfotoseregistros\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/golpe_1964.jpg\" alt=\"Reprodu\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o de 2 de abril de 1964, do Jornal O Globo\" width=\"2089\" height=\"3192\" srcset=\"https:\/\/www.kanenberg.com.br\/fatosfotoseregistros\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/golpe_1964.jpg 2089w, https:\/\/www.kanenberg.com.br\/fatosfotoseregistros\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/golpe_1964-196x300.jpg 196w, https:\/\/www.kanenberg.com.br\/fatosfotoseregistros\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/golpe_1964-768x1174.jpg 768w, https:\/\/www.kanenberg.com.br\/fatosfotoseregistros\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/golpe_1964-670x1024.jpg 670w\" sizes=\"auto, (max-width: 2089px) 100vw, 2089px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5498\" class=\"wp-caption-text\">Reprodu\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o de 2 de abril de 1964, do Jornal O Globo<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Um pa\u00eds profundamente dividido<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo do presidente Jo\u00e3o Goulart, conhecido como Jango, enfrentava uma forte crise pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social. O pa\u00eds estava inserido no contexto da Guerra Fria, per\u00edodo de intensa disputa ideol\u00f3gica entre Estados Unidos e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Goulart defendia as chamadas <strong>Reformas de Base<\/strong>, que inclu\u00edam propostas nas \u00e1reas agr\u00e1ria, educacional, fiscal, banc\u00e1ria e urbana. Seus advers\u00e1rios enxergavam parte dessas propostas como uma amea\u00e7a \u00e0 ordem pol\u00edtica e econ\u00f4mica vigente e temiam uma aproxima\u00e7\u00e3o do Brasil com o comunismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, setores da sociedade apoiavam as reformas e consideravam necess\u00e1rias mudan\u00e7as profundas no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tens\u00e3o aumentou rapidamente. Empres\u00e1rios, propriet\u00e1rios rurais, setores da classe m\u00e9dia, parte da imprensa, lideran\u00e7as pol\u00edticas e setores das For\u00e7as Armadas passaram a se opor ao governo. Por outro lado, sindicatos, organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores, estudantes e grupos pol\u00edticos de esquerda defendiam Jango e suas propostas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse ambiente de radicaliza\u00e7\u00e3o, grupos civis e militares passaram a conspirar para retirar o presidente do poder.<\/p>\n<h2>O movimento de mar\u00e7o de 1964<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na madrugada de <strong>31 de mar\u00e7o de 1964<\/strong>, tropas comandadas pelo general Ol\u00edmpio Mour\u00e3o Filho partiram de Juiz de Fora, em Minas Gerais, em dire\u00e7\u00e3o ao Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O movimento ganhou rapidamente apoio de outros setores militares e de importantes lideran\u00e7as civis. A resist\u00eancia ao avan\u00e7o das tropas n\u00e3o se organizou de maneira suficiente para impedir a derrubada do governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Goulart deixou Bras\u00edlia e seguiu para Porto Alegre, onde ainda existiam for\u00e7as militares dispostas a defender seu governo. Entretanto, diante do risco de uma guerra civil, decidiu n\u00e3o organizar uma resist\u00eancia armada e posteriormente deixou o pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 aqui um detalhe importante para compreender a capa de <em>O Globo<\/em>: quando o jornal publicou que <strong>\u201cFugiu Goulart\u201d<\/strong>, Jango ainda estava em territ\u00f3rio brasileiro. Ele s\u00f3 deixaria o pa\u00eds posteriormente, partindo para o ex\u00edlio no Uruguai.<\/p>\n<h2>E Mazzilli, era realmente o novo presidente?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na noite de 1\u00ba de abril, o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, declarou vaga a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Ranieri Mazzilli, ent\u00e3o presidente da C\u00e2mara dos Deputados, assumiu formalmente o cargo na madrugada de 2 de abril.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ponto de vista da sucess\u00e3o constitucional, Mazzilli era o substituto previsto para a Presid\u00eancia. Por\u00e9m, havia uma quest\u00e3o fundamental: <strong>o poder efetivo j\u00e1 n\u00e3o estava nas m\u00e3os do presidente interino.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O poder de fato passou para o chamado <strong>Comando Supremo da Revolu\u00e7\u00e3o<\/strong>, formado pelo general Artur da Costa e Silva, pelo almirante Augusto Rademaker e pelo brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo. Mazzilli permaneceu, portanto, como chefe de Estado formal durante aquele curto per\u00edodo, enquanto o comando militar exercia o poder real.<\/p>\n<h2>\u201cRessurge a democracia\u201d<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 justamente aqui que a capa de <em>O Globo<\/em> se transforma em um documento hist\u00f3rico particularmente interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o jornal, naquele momento, a derrubada de Jo\u00e3o Goulart significava o <strong>\u201cressurgimento da democracia\u201d<\/strong>. O editorial publicado na mesma edi\u00e7\u00e3o saudava a atua\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas e apresentava o movimento como uma rea\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para preservar a democracia, a lei e a ordem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa n\u00e3o era uma vis\u00e3o isolada. O movimento de 1964 contou com o apoio de importantes setores civis da sociedade, incluindo empres\u00e1rios, propriet\u00e1rios rurais, parte da imprensa, setores da Igreja Cat\u00f3lica, governadores e parcelas significativas da classe m\u00e9dia. Havia, entre seus apoiadores, a convic\u00e7\u00e3o de que o governo Goulart representava uma amea\u00e7a \u00e0 ordem pol\u00edtica e social e que a interven\u00e7\u00e3o militar seria necess\u00e1ria para impedir uma suposta amea\u00e7a comunista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, a capa de <em>O Globo<\/em> n\u00e3o deve ser vista apenas como uma manchete antiga. Ela \u00e9 tamb\u00e9m um registro de <strong>como parte importante da sociedade brasileira interpretava aquele acontecimento naquele momento<\/strong>.<\/p>\n<h2>Mas o que aconteceu depois?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 aqui que a dist\u00e2ncia hist\u00f3rica se torna fundamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <strong>9 de abril de 1964<\/strong>, poucos dias depois da publica\u00e7\u00e3o daquela capa, o chamado Comando Supremo da Revolu\u00e7\u00e3o editou o <strong>Ato Institucional n\u00ba 1 (AI-1)<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O documento afirmava que a \u201crevolu\u00e7\u00e3o vitoriosa\u201d se investia no exerc\u00edcio do Poder Constituinte e que poderia destituir o governo anterior e estabelecer novas normas pol\u00edticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O AI-1 tamb\u00e9m determinou que a elei\u00e7\u00e3o para presidente e vice-presidente seria realizada <strong>indiretamente pelo Congresso Nacional<\/strong>. Al\u00e9m disso, permitiu aos comandantes militares suspender direitos pol\u00edticos por at\u00e9 dez anos e cassar mandatos legislativos, sem possibilidade de aprecia\u00e7\u00e3o judicial desses atos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poucos dias depois, o Congresso elegeu indiretamente o marechal <strong>Humberto de Alencar Castelo Branco<\/strong> para a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A promessa inicial de uma r\u00e1pida volta \u00e0 normalidade democr\u00e1tica n\u00e3o se concretizou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos seguintes, novos Atos Institucionais ampliaram os poderes do Executivo, restringiram direitos pol\u00edticos, extinguiram os partidos existentes e estabeleceram novas regras eleitorais. O AI-2, de 1965, por exemplo, extinguiu os partidos pol\u00edticos existentes e acabou definitivamente com a elei\u00e7\u00e3o direta para presidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia iniciada em 1964 acabaria se transformando em um regime autorit\u00e1rio que permaneceria no poder por aproximadamente duas d\u00e9cadas, com elei\u00e7\u00f5es presidenciais indiretas e severas restri\u00e7\u00f5es \u00e0s liberdades pol\u00edticas.<\/p>\n<h2>Golpe ou \u201cRevolu\u00e7\u00e3o\u201d?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pr\u00f3prios militares n\u00e3o chamavam o acontecimento de golpe. O termo utilizado oficialmente era <strong>\u201cRevolu\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong>. O pr\u00f3prio AI-1 come\u00e7a definindo o movimento como uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d e afirmando que ela se legitimaria pelo apoio da Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a historiografia brasileira contempor\u00e2nea, incluindo trabalhos do CPDOC da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas, caracteriza o acontecimento como <strong>golpe pol\u00edtico-militar<\/strong>, por ter resultado na deposi\u00e7\u00e3o de um presidente constitucionalmente constitu\u00eddo e na transfer\u00eancia do poder para os militares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diferen\u00e7a entre essas palavras n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de vocabul\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cRevolu\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong> era a maneira como os vencedores procuravam apresentar e legitimar o movimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cGolpe\u201d<\/strong> \u00e9 a denomina\u00e7\u00e3o utilizada para destacar a ruptura da ordem constitucional e a deposi\u00e7\u00e3o do presidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E <strong>\u201cdemocracia\u201d<\/strong>, na capa de <em>O Globo<\/em>, expressava a interpreta\u00e7\u00e3o que aquele jornal fazia dos acontecimentos naquele momento.<\/p>\n<h2>O valor hist\u00f3rico daquela capa<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez seja justamente por isso que a capa de 2 de abril de 1964 mere\u00e7a ser preservada e observada com aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela n\u00e3o nos mostra apenas o que aconteceu. Ela mostra <strong>como uma parte da sociedade brasileira enxergou o que estava acontecendo enquanto os acontecimentos ainda estavam em curso<\/strong>.<\/p>\n<p>A manchete dizia:<\/p>\n<p><strong>\u201cFugiu Goulart e a democracia est\u00e1 sendo restabelecida.\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais de seis d\u00e9cadas depois, sabemos que aquela mudan\u00e7a de poder n\u00e3o resultou no imediato restabelecimento da democracia. Ao contr\u00e1rio, deu in\u00edcio a um per\u00edodo autorit\u00e1rio que duraria at\u00e9 a redemocratiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A capa, portanto, permanece como um testemunho de seu tempo \u2014 e tamb\u00e9m como um exemplo de como a interpreta\u00e7\u00e3o de um acontecimento hist\u00f3rico pode mudar profundamente quando observada com a perspectiva dos anos seguintes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se trata de apagar aquilo que o jornal publicou em 1964, nem de ignorar que existia naquele momento uma parcela significativa da sociedade que apoiava a interven\u00e7\u00e3o militar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de <strong>colocar o documento em seu contexto hist\u00f3rico<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Hist\u00f3ria, afinal, n\u00e3o \u00e9 apenas aquilo que os jornais disseram no dia seguinte aos acontecimentos. \u00c9 tamb\u00e9m aquilo que conseguimos compreender quando reunimos documentos, testemunhos e acontecimentos posteriores e os analisamos em conjunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E talvez seja justamente por isso que aquela velha capa continue provocando uma pergunta t\u00e3o importante:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 1964, quando o jornal anunciou que a democracia estava ressurgindo, que democracia estava sendo imaginada \u2014 e o que aconteceu com ela nos anos que vieram depois?<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cFugiu Goulart e a democracia est\u00e1 sendo restabelecida.\u201d, \u201cEmpossado Mazzilli na presid\u00eancia.\u201d, \u201cRessurge a democracia.\u201d, \u201cCastelo Branco advertia os comandos: as For\u00e7as Armadas s\u00e3o para defender a lei, n\u00e3o a baderna.\u201d. 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