{"id":4927,"date":"2018-03-21T10:46:20","date_gmt":"2018-03-21T13:46:20","guid":{"rendered":"https:\/\/fatosfotoseregistros.wordpress.com\/?p=4927"},"modified":"2026-10-18T12:23:25","modified_gmt":"2026-10-18T15:23:25","slug":"banhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.kanenberg.com.br\/fatosfotoseregistros\/banhos\/","title":{"rendered":"A absurda falta de higiene na idade m\u00e9dia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\">Nos filmes com tem\u00e1tica medieval de Hollywood, vemos nobres abastados, belas damas maquiadas, penteadas, cheias de j\u00f3ias, vestindo t\u00fanicas pulcras e branquinhas. Tudo fachada, pois como j\u00e1 lemos no artigo &#8220;O passado, em verdade, foi uma \u00e9poca em que nenhum de n\u00f3s gostar\u00edamos de viver&#8221;, em um per\u00edodo entre a queda do Imp\u00e9rio Romano at\u00e9 a descoberta da Am\u00e9rica, a higiene pessoal n\u00e3o era considerada uma prioridade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"4928\" data-permalink=\"https:\/\/www.kanenberg.com.br\/fatosfotoseregistros\/banhos\/banhos-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/www.kanenberg.com.br\/fatosfotoseregistros\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/banhos.png\" data-orig-size=\"1284,1071\" data-comments-opened=\"1\" data-image-title=\"banhos\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/www.kanenberg.com.br\/fatosfotoseregistros\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/banhos-1024x854.png\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4928\" src=\"https:\/\/fatosfotoseregistros.kanenberg.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/banhos.png?w=300\" alt=\"banhos\" width=\"300\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/www.kanenberg.com.br\/fatosfotoseregistros\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/banhos.png 1284w, https:\/\/www.kanenberg.com.br\/fatosfotoseregistros\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/banhos-300x250.png 300w, https:\/\/www.kanenberg.com.br\/fatosfotoseregistros\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/banhos-768x641.png 768w, https:\/\/www.kanenberg.com.br\/fatosfotoseregistros\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/banhos-1024x854.png 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os m\u00e9dicos achavam que a \u00e1gua, sobretudo quente, debilitava os \u00f3rg\u00e3os, deixando o corpo exposto a insalubridades e que, se penetrasse atrav\u00e9s dos poros, podia transmitir todo tipo de doen\u00e7as. Inclusive come\u00e7ou-se a espalhar a id\u00e9ia de que, uma camada de sujeira protegia contra as doen\u00e7as e que, portanto, o asseio pessoal devia ser realizado &#8220;a seco&#8221;, s\u00f3 com uma toalha limpa para esfregar as partes expostas do corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os m\u00e9dicos recomendavam que as crian\u00e7as limpassem o rosto e os olhos com um trapo branco para limpar o sebo, mas n\u00e3o muito para n\u00e3o retirar a cor &#8220;natural&#8221; (encardida) da tez. Na verdade, os galenos, consideravam que a \u00e1gua era prejudicial \u00e0 vista, que podia provocar dor de dentes e catarros, empalidecia o rosto, deixava o corpo mais sens\u00edvel ao frio no inverno e a pele ressecada no ver\u00e3o. Ademais, a Igreja condenava o banho, por consider\u00e1-lo um luxo desnecess\u00e1rio e pecaminoso.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A falta de higiene n\u00e3o era apenas um costume dos pobres, a rejei\u00e7\u00e3o pela \u00e1gua, chegava aos estratos mais altos da sociedade. As damas mais entusiastas do asseio tomavam banho, quando muito, duas vezes ao ano, e o pr\u00f3prio rei s\u00f3 o fazia por prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e com as devidas precau\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os banhos, quando aconteciam, eram tomados em uma tina enorme cheia de \u00e1gua quente. O pai da fam\u00edlia era o primeiro a tom\u00e1-lo, logo os outros homens da casa, por ordem de idade e depois as mulheres, tamb\u00e9m por ordem de idade. Enfim chegava a vez das crian\u00e7as e beb\u00eas, que podiam se perder dentro daquela \u00e1gua suja. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que as crian\u00e7as tinham grande desgosto em tomar banho e que havia grande mortandade entre elas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tudo era reciclado. Tinha gente dedicada a recolher os excrementos das fossas, para vend\u00ea-los como esterco. Os tintureiros guardavam urina em grandes tinas, que depois usavam para lavar peles, branquear telas e amaciar couro. Os ossos eram triturados para fazer adubo. O que n\u00e3o se reciclava ficava jogado na rua, porque os servi\u00e7os p\u00fablicos de limpeza urbana e saneamento, n\u00e3o existiam ou eram insuficientes. As pessoas jogavam seu lixo e dejetos em baldes, pelas portas ou janelas de suas casas ou dos castelos. Imagine a cena: o sujeito acordava pela manh\u00e3, pegava o pinico e jogava o que tivesse dentro, ali da sua pr\u00f3pria janela.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O mau cheiro que as pessoas exalavam por debaixo das roupas, era dissipado pelo leque. Mas s\u00f3 os nobres tinham lacaios que faziam este trabalho. Al\u00e9m de dissipar o ar f\u00e9tido, tamb\u00e9m servia para espantar insetos que se acumulavam ao seu redor. Os pr\u00edncipes dos contos de fadas fediam mais do que seus cavalos!<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na Idade M\u00e9dia a maioria dos casamentos era celebrado no m\u00eas de junho, bem no come\u00e7o do ver\u00e3o boreal. A raz\u00e3o era simples: o primeiro banho do ano era tomado em maio; assim sendo, em junho, o cheiro das pessoas ainda era toler\u00e1vel. De qualquer forma, como algumas pessoas fediam mais do que as outras ou se recusavam a tomar banho, as noivas levavam ramos de flores, ao lado de seu corpo nas carruagens para disfar\u00e7ar o mau cheiro. Tornou-se, ent\u00e3o, costume celebrar os casamentos em maio, depois do primeiro banho. N\u00e3o \u00e9 ao acaso que hoje, maio \u00e9 considerado o m\u00eas das noivas e dali nasceu a tradi\u00e7\u00e3o do buqu\u00ea de flores das noivas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nos pal\u00e1cios e casas de fam\u00edlia a exist\u00eancia dos banheiros era praticamente nula, nem &#8220;casinha&#8221; existia. Quando a necessidade imperava, o fundo do quintal ou uma moita eram escolhidos segundo a prefer\u00eancia de cada um. N\u00e3o era incomum tamb\u00e9m, ver algu\u00e9m defecando nos cantos ou becos das ruas. Os sistemas de esgoto ainda n\u00e3o existiam; portanto as cidades medievais eram verdadeiros dep\u00f3sitos de lixo e excremento. Grandes metr\u00f3poles como Londres ou Paris podiam ser consideradas naquele tempo, como alguns dos lugares mais sujos do planeta.<\/p>\n<p>Os mais ricos tinham pratos e canecas de estanho. Certos alimentos oxidavam o material levando muita gente a morrer envenenada, sem saber o porqu\u00ea. Alguns alimentos muito \u00e1cidos, que provocavam este efeito, passaram a ser considerados t\u00f3xicos durante muito tempo. Com os copos ou canecas, ocorria a mesma coisa: o contato com u\u00edsque ou a cerveja, fazia com que as pessoas entrassem em um estado de narcolepsia, produzido tanto pela bebida quanto pelo estanho. Algu\u00e9m que passasse pela rua e visse algu\u00e9m neste estado, podia pensar que estava morto e logo preparavam o enterro. O corpo era colocado sobre a mesa da cozinha durante alguns dias, enquanto a fam\u00edlia comia e bebia esperando que o &#8220;morto&#8221; voltasse \u00e0 vida ou n\u00e3o. Foi da\u00ed que surgiu o costume de beber ao morto e mais tarde, o vel\u00f3rio feito junto ao cad\u00e1ver.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O Rei Henrique VIII, famoso por romper com a Igreja Romana e por ter se casado seis vezes, tinha mais de 200 empregados, que lhe serviam como: cozinheiros, carregadores, abanadores, etc. Mas os serventes com a pior das sortes, eram aqueles que deviam cuidar das &#8220;necessidades&#8221; do rei: tinham que \u201cdespiolh\u00e1-lo\u201d uma vez ao dia, limpar sua \u201cpoupan\u00e7a\u201d, depois que fizesse suas necessidades e lavar suas partes \u00edntimas, enquanto o rei permanecia sentado e pasmem, inclusive, quando a rainha estava gr\u00e1vida e o monarca sentia certas car\u00eancias, um dos servi\u00e7ais, homem ou mulher, devia satisfazer suas necessidades.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">As mulheres ricas e nobres da era Tudor, usavam maquiagem n\u00e3o s\u00f3 como uma indica\u00e7\u00e3o de seu status e classe social, como tamb\u00e9m para esconder cicatrizes de v\u00e1rias doen\u00e7as, como var\u00edola, por isso a maquiagem pesada era moda. Os perfumes eram populares junto com os cremes e pomadas para amaciar a pele.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No entanto, mesmo diante desta \u201cporqueira\u201d toda, quando um nobre viajante ou qualquer membro da nobreza se apresentava perante o rei ou a rainha, devia se inclinar em sinal de venera\u00e7\u00e3o e se por acaso esta pessoa, nesse exato momento, tivesse a m\u00e1 sorte de deixar escapar \u201cum g\u00e1s&#8221;, em frente do monarca, a pena era o desterro. Ele era enviado para longe e sem poder regressar por 7 anos, isso se o rei decidisse que ele(a) poderia voltar. Isto muito provavelmente originou a vergonha e desaprova\u00e7\u00e3o de \u201cflatular\u201d na frente dos outros, mesmo sendo um ato natural, comum a todos os mam\u00edferos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A falta de higiene n\u00e3o era apenas um costume dos pobres, a rejei\u00e7\u00e3o pela \u00e1gua, chegava aos estratos mais altos da sociedade. 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