{"id":1251,"date":"2016-06-27T09:03:47","date_gmt":"2016-06-27T12:03:47","guid":{"rendered":"https:\/\/fatosfotoseregistros.wordpress.com\/?p=1251"},"modified":"2026-08-09T12:49:46","modified_gmt":"2026-08-09T15:49:46","slug":"ilha-de-paqueta-a-garca-cinzenta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.kanenberg.com.br\/fatosfotoseregistros\/ilha-de-paqueta-a-garca-cinzenta\/","title":{"rendered":"Ilha de Paquet\u00e1 &#8211; A Gar\u00e7a Cinzenta"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">Dizem que a gar\u00e7a cinzenta \u00e9 um animal que d\u00e1 sorte. Quando ela aparece no caminho dos pescadores eles ficam cheios de alegria, na certeza de que \u00e9 um pren\u00fancio de farta pescaria. E acontece o mesmo com todas as pessoas que s\u00e3o pelo menos um pouquinho supersticiosas. Ao ver a gar\u00e7a cinzenta, abrem logo largos sorrisos de satisfa\u00e7\u00e3o pela esperan\u00e7a de sorte no trabalho, no jogo, no amor.<\/p>\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1259 size-full\" src=\"https:\/\/fatosfotoseregistros.files.wordpress.com\/2016\/06\/wp-1466436505371.jpg\" alt=\"wp-1466436505371.jpg\" width=\"470\" height=\"352\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">Raramente ela aparece por aqui. Ela \u00e9 da cor das manh\u00e3s de nevoeiro e tem na cabe\u00e7a uma plumagem preta, como se fosse um chap\u00e9u, ou melhor, uma coroa; um sinal talvez de realeza.<\/p>\n<p align=\"justify\">Sua raridade desperta natural curiosidade. Por qu\u00ea existem t\u00e3o poucas ? Por qu\u00ea n\u00e3o v\u00eam mais por aqui ? Como surgiram, se todas as outras gar\u00e7as s\u00e3o completamente brancas?<\/p>\n<p align=\"justify\">Essas perguntas sempre me intrigam e, com certa vez, ouvi uma explica\u00e7\u00e3o muito interessante que me foi dada por um dos mais antigos pescadores de Paquet\u00e1. Ele era filho de um escravo que viveu aqui por muitos anos e que trabalhou nas caieiras, onde todos os negros eram chamados de &#8220;p\u00e9s-de-pav\u00e3o&#8221;, porque pisavam no cal e ficavam com as pernas brancas como as daquela ave. O pai desse meu amigo pescador disse ter aprendido essa hist\u00f3ria com um outro escravo bem mais velho do que ele e que conhecia muito bem todas as lendas sobre os \u00edndios tamoios que viveram em Paquet\u00e1. \u00c9 a &#8220;lenda da gar\u00e7a cinzenta&#8221;, que agora vou lhes contar:<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;Ela fala de um Kuru-mi que no dia foi ca\u00e7ar em Ajurub\u00e1-Ib\u00e1 &#8211; a ilha das \u00e1rvores dos papagaios e encontrou l\u00e1 um ninho abandonado, com um ovo solit\u00e1rio dentro dele, e pensou ent\u00e3o que talvez fosse melhor traz\u00ea-lo para Pac-et\u00e1 &#8211; a ilha das muitas pacas &#8211; onde ele tinha um soc\u00f3 que vivia na sua oca, na praia da Imbuca (\u00e1guas que rebentam) e que comia na sua m\u00e3o, peixes que ele lhe dava. Aquele soc\u00f3 quase n\u00e3o voava, andava pela oca, ciscava na beira da praia e era mansinho. Quem sabe fosse f\u00eamea e pudesse chocar no seu ninho o ovo achado em Ajurub\u00e1-Iba pelo Kuru-mi ? E foi o que o indiozinho fez: Trouxe o ovinho e o colocou no ninho do soc\u00f3 que, de pronto, deitou-se por cima dele e o chocou com enorme alegria. No tempo certo, a avezinha nasceu, quebrou a casca do ovo, esticou o pesco\u00e7o e saiu. E em breve pos-se de p\u00e9, piando e andando atr\u00e1s do soc\u00f3, \u00e0 espera de larvas e de peixinhos. Ela tinha a mesma cor do soc\u00f3, mas alguma coisa parecia diferente: tinha o bico, o pesco\u00e7o, e as patas muito compridas, ao contr\u00e1rio dos soc\u00f3s, mas o seu jeito era o mesmo que o delas, e ficava cada vez mais parecido com eles, \u00e0 medida em que mais convivia com a sua m\u00e3e adotiva.<\/p>\n<p align=\"justify\">A avezinha passou toda a sua vida assim, no meio dos outros soc\u00f3s, voando pouco, ciscando na beira da praia e aceitando comida na m\u00e3o, sempre mansinha.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um dia (e \u00e9 bom lembrar que essa hist\u00f3ria aconteceu h\u00e1 muito tempo, quando os bichos falavam), a garcinha-cinzenta, que pensava que era um soc\u00f3, viu uma linda e elegante ave branca, como a neve, com o bico, o pesco\u00e7o e as patas bem parecidas com os seus e que passou voando por perto da Ilha dos Lobos, juntinho da \u00e1gua e mergulhou, de s\u00fabito, o seu bico no mar, pescando com grande habilidade um mamarreis prateado. E a garcinha-cinzenta, encantada com o que estava vendo, perguntou a um soc\u00f3zinho que estava com ela na praia.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8211; &#8220;Que ave bonita \u00e9 aquela?&#8221;<\/p>\n<p align=\"justify\">Ao que o soc\u00f3zinho respondeu:<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8211; &#8220;Ah! Aquela \u00e9 uma gar\u00e7a, a melhor pescadora de todas as praias. Mas n\u00e3o adianta voc\u00ea ficar querendo pescar com ela n\u00e3o. Voc\u00ea \u00e9 apenas um soc\u00f3 de pesco\u00e7o comprido!&#8221;<\/p>\n<p align=\"justify\">E assim, a garcinha-cinzenta est\u00e1 pensando at\u00e9 hoje que ela \u00e9 apenas um soc\u00f3 de pesco\u00e7o comprido. E \u00e9 por isso que ela voa pouco, pesca pouco e apenas marisca na beira do mar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizem que a gar\u00e7a cinzenta \u00e9 um animal que d\u00e1 sorte. Quando ela aparece no caminho dos pescadores eles ficam cheios de alegria, na certeza de que \u00e9 um pren\u00fancio de farta pescaria. 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