O Homem que Calculava

Livro de autoria do escritor, matemático e professor Júlio César de Mello e Souza (1895-1974), cujo pseudônimo era Malba Tahan. Foi publicado pela primeira vez em 1946 e até hoje já alcançou mais de 80 edições. Em 1972, a obra foi premiada pela Academia Brasileira de Letras em 1972, ocasião em que era lançada sua 25ª edição.

Capa-do-Livro-O-Homem-Que-Calculava

O livro foi traduzido para vários idiomas como o espanhol, o alemão, o italiano, o francês, o inglês e inclusive o catalão.

O Homem que Calculava é um romance infanto-juvenil que narra as aventuras e proezas matemáticas do calculista persa Beremiz Samir na Bagdá do século XIII. No livro são retratadas as peripécias matemáticas do protagonista, que resolve e explica, de modo extraordinário, diversos problemas, quebra-cabeças e curiosidades da matemática. Além que no decorrer da narrativa ainda são apresentadas algumas lendas e histórias pitorescas, como, por exemplo, a lenda da origem do jogo de xadrez e a história da filósofa e matemática Hipátia de Alexandria.

Os principais personagens do romance são o próprio Beremiz Samir – protagonista, Hank Tade-Maiá – narrador da história e amigo de Beremiz, Telassim – filha de 17 anos do poeta Iezid Abul Hamid, Ibrahim Maluf el Barad – Grão-vizir protetor de Beremiz e Al-Motacém – O califa Al-Musta’sim Billah de Bagdá.

O romance relata as viagens do árabe Beremiz Samir, o homem que efetuava cálculos matemáticos, pelo deserto entre Samarra e Bagdá. Em suas andanças ele usa toda sua habilidade em lidar com números para resolver problemas cotidianos e característicos da cultura árabe.

Durante a viagem pelo deserto, o Calculista ia exercitando suas facilidades com números contando pássaros, galhos e folhas das árvores e quando deparava com diferentes problemas ou conflitos matemáticos vivenciados pelos viajantes que cruzavam e que aparentemente sem solução, Beremiz, com sua grande capacidade de raciocínio lógico os resolve de forma simples e transparente, explicando aos seus observadores como chegou a tais conclusões, e, em algumas situações, recebe alguma recompensa, porém, em outras, se livra de situações complicadas e potencialmente perigosas.

O livro inclui diversos apêndices como glossário de árabe, frases de filósofos e cientistas elogiando a matemática, informações sobre calculistas famosos, um artigo sobre os árabes na matemática, a dedicatória que tem importante significado histórico e cultural e a resolução explicada de cada problema matemático.

O livro é repleto de informações, histórias e curiosidades sobre a matemática. Vale a pena ser lido e relido diversas vezes.

Monteiro Lobato classificou este livro como: “…obra que ficará a salvo das vassouradas do tempo como a melhor expressão do binômio ciência-imaginação”.

“Ingrato é aquele que esquece a pátria e os amigos de infância, quando tem a felicidade de encontrar na vida, o oásis da prosperidade e da fortuna.” – Uma das frases encontradas no livro.

Júlio César de Mello e Souza começou a carreira como escritor com uma colaboração ao jornal “O Imparcial”. Júlio César gostava de escrever e enviou alguns de seus contos ao diretor do jornal, Leônidas Rezende, pedindo-lhe para que fossem publicados, porém essa tentativa não deu certo ficando os textos jogados sobre a mesa da redação por vários dias. Com isso, Júlio pegou os mesmos de volta. No dia seguinte, retornou com os mesmos textos com a assinatura de R. S. Slade, um fictício escritor americano. Informou ao redator qe havia acabado de traduzir os mesmos e que estes faziam muito sucesso em Nova York. A estratégia deu certo, pois o texto eos seguintes, deste modo tiveram excelente destaque. Com esta lição, Júlio decidiu criar Malba Tahan.

Não bastando, passou a estudar a fundo todos os aspectos da cultura árabe e da oriental, para enriquecer ainda mais seus escritos.

Porém, a situação chegou a ponto que não mais foi possível separar o nome brasileiro Júlio César de Mello e Souza do nome árabe Malba Tahan. Assim em 1954, por um decreto especial ao Ministério da Justiça, Getúlio Vargas autorizou a presença do pseudônimo Malba Tahan na carteira de identidade de Júlio César de Mello e Souza.

Malba Tahan significa “O Moleiro de Malba”, sendo Malba a denominação de um povoado ao sul da Arábia, e “Tahan” significa moleiro, aquele que prepara o trigo. A palavra Tahan foi tirada do sobrenome de uma de suas alunas (Maria Zachsuk Tahan).

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