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Jaiminho: O Papagaio de Pirata Carioca

O Rio de Janeiro é famoso por seus personagens folclóricos, e Jaime Dias Sabino, o popular Jaiminho, certamente ocupa um lugar de destaque nessa galeria urbana. Conhecido nacionalmente como o maior “papagaio de pirata” (termo usado para quem faz de tudo para aparecer atrás de entrevistados ou repórteres) da televisão brasileira, Jaiminho transformou a busca pelos holofotes em uma verdadeira arte — e em sua missão de vida.

Jaime Dias Sabino, o popular Jaiminho

O “Alça de Caixão”: Presença nos Velórios de Famosos

Embora aparecesse em eventos políticos e treinos de futebol, a grande especialidade de Jaiminho eram os funerais de celebridades e grandes personalidades. Ele próprio afirmava ter comparecido e “ajudado a enterrar” mais de 1.150 pessoas ao longo de cinco décadas.

Sua “estreia” nesse cenário ocorreu no histórico funeral do presidente Getúlio Vargas, em 1954. A partir dali, Jaiminho virou figura carimbada em despedidas marcantes da história brasileira, incluindo as de:

Sempre impecável, ele possuía uma coleção de mais de 300 ternos e gravatas guardados exclusivamente para essas ocasiões. Jaiminho não ficava apenas na multidão: ele se infiltrava de tal forma que frequentemente era visto carregando a alça do caixão ao lado de parentes e amigos íntimos do falecido. Ele dizia que fazia isso por honra e respeito a quem tinha feito algo pelo país. O último grande funeral de sua lista foi o do arquiteto Oscar Niemeyer, em dezembro de 2012.

O Terror do RJTV: As Aparições na Globo

Se havia um link ao vivo do RJTV (jornal local da TV Globo no Rio) na Cinelândia ou no Largo da Carioca, Jaiminho estava lá. Ele tinha um faro impressionante para descobrir onde as equipes de reportagem estariam.

Sua técnica era cirúrgica: ele se posicionava estrategicamente logo atrás do ombro do repórter, olhando fixamente para a câmera com uma expressão séria ou compungida, mudando de posição conforme o cinegrafista tentava, em vão, “desenquadrá-lo”.

O folclore em torno de sua figura era tão grande que amigos e telespectadores ligavam para o celular de Jaiminho durante a transmissão ao vivo para avisar se ele estava aparecendo bem ou se precisava dar um passo para o lado. Em sua casa, no bairro do Rocha, ele mantinha um “acervo” com milhares de recortes de jornais e registros de suas mais de 300 mil aparições na mídia.

A Morte e a Despedida Inusitada

Em 24 de outubro de 2013, aos 84 anos, Jaiminho faleceu no Hospital Federal de Ipanema após sofrer um infarto.

Como ironia fina do destino, o homem que passou a vida organizando e frequentando os enterros alheios teve um sepultamento confuso no Cemitério de São Francisco Xavier (Caju). Por um erro da administração, seu corpo foi inicialmente sepultado na gaveta errada. O erro foi percebido logo em seguida, o caixão foi retirado e o procedimento teve que ser refeito. Assim, o “papagaio de funeral” mais famoso do Brasil acabou sendo enterrado duas vezes no mesmo dia.

A Homenagem da TV Globo

Após sua morte, a própria TV Globo — que passou décadas tentando driblar as aparições do penetra mais famoso do Rio — rendeu-se ao carisma de Jaiminho.

No próprio RJTV, os apresentadores e repórteres que tanto conviveram com ele nas ruas prestaram uma carinhosa homenagem, exibindo uma reportagem especial com compilações de suas melhores “invasões” de tela ao longo dos anos. A emissora reconheceu Jaiminho não como um estorvo, mas como parte da paisagem urbana, do humor e da identidade do jornalismo carioca, imortalizando o homem que fez da lateral do enquadramento o seu palco principal.

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