{"id":274,"date":"2019-02-03T12:55:12","date_gmt":"2019-02-03T14:55:12","guid":{"rendered":"https:\/\/familia.kanenberg.com.br\/?p=274"},"modified":"2019-02-03T12:55:12","modified_gmt":"2019-02-03T14:55:12","slug":"onibus-do-correio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.kanenberg.com.br\/familia\/onibus-do-correio\/","title":{"rendered":"O \u00f4nibus do correio"},"content":{"rendered":"<h3>&#8211; O CORREIO J\u00c1 PASSOU?<\/h3>\n<p>Esta era uma pergunta comum que as pessoas faziam l\u00e1 pelos anos 60 nos bares, armaz\u00e9ns, etc., que ficavam \u00e0s margens das rodovias que ligavam as cidades de Florian\u00f3polis e Jaragu\u00e1 do Sul, principalmente tarde da noite, quando n\u00e3o havia mais linha de \u00f4nibus regular, e a \u00faltima solu\u00e7\u00e3o era pegar o &#8220;Correio&#8221;&#8230;<\/p>\n<p>Mas afinal, como \u00e9 que funcionava esta linha de \u00f4nibus conhecida por todos como o &#8220;Correio\u201d?<\/p>\n<p>Voltemos cinquenta anos no tempo&#8230;<\/p>\n<p>1960, 61, 62, 63, o asfalto ainda n\u00e3o pavimentava as antigas estradas em nosso Estado. Eram todas de barro&#8230;<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que a Auto Via\u00e7\u00e3o Catarinense, empresa de passageiros pioneira no sul do Pa\u00eds, fez um conv\u00eanio com o Correio para transportar as malas de correspond\u00eancia da regi\u00e3o do litoral e do norte do Estado, para agilizar a entrega do que se postava em Florian\u00f3polis, Itaja\u00ed e Blumenau com destino \u00e0s demais regi\u00f5es do Brasil, pelo sistema &#8220;via terrestre&#8221;, garantindo inclusive uma entrega mais segura.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante lembrar que naqueles tempos voc\u00ea podia escolher: sua carta poderia seguir por via a\u00e9rea ou via terrestre. Se fosse por avi\u00e3o custava mais caro e o envelope era diferenciado, em papel mais fino e especial, com tarja verde amarela. O texto tamb\u00e9m tinha que ser escrito em papel de carta especial, que era fin\u00edssimo e transparente, ou seja, o envelope devia pesar o m\u00ednimo poss\u00edvel, porque voc\u00ea pagava pelo peso.<\/p>\n<p>Ao despachar via a\u00e9rea o remetente ficava tranquilo, com a certeza de que o destinat\u00e1rio receberia a correspond\u00eancia o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.<\/p>\n<p>J\u00e1 as cartas e encomendas por via terrestre custavam bem menos, em compensa\u00e7\u00e3o demoravam mais para chegar ao destino.<\/p>\n<h3>A LINHA DO CORREIO<\/h3>\n<p>O Grupo JCA, que em 1995 assumiu o controle acion\u00e1rio da Auto Via\u00e7\u00e3o Catarinense, no hist\u00f3rico da empresa registra o seguinte:<\/p>\n<p>&#8220;O transporte de encomendas tamb\u00e9m era feito pela Catarinense desde os primeiros tempos. Como n\u00e3o houvesse servi\u00e7o oficial de correio, nem qualquer forma de presta\u00e7\u00e3o regular desse tipo de servi\u00e7o, a empresa logo se destacou por entregar as encomendas sem danos, j\u00e1 que, at\u00e9 ent\u00e3o, era muito comum que fossem extraviadas ou danificadas pelo caminho. Elas eram transportadas em carros exclusivos, e quando nasceu a empresa de Correios, a Catarinense foi sua parceira, em carros que transportavam encomendas na parte traseira e passageiros, na frente.&#8221;<\/p>\n<p>Por falta de informa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se sabe ao certo o hor\u00e1rio em que partia de Florian\u00f3polis (devia ser pelas 20 h), mas era comum que o \u00f4nibus do &#8220;Correio&#8221; passasse por Itaja\u00ed l\u00e1 pelas 21,30 horas; em Ilhota era pelas 22,00 horas que ele passava, depois seguia por Gaspar, Blumenau, Pomerode, at\u00e9 chegar , de madrugada, em Jaragu\u00e1 do Sul, importante polo de redistribui\u00e7\u00e3o, via f\u00e9rrea, do norte catarinense.<\/p>\n<p>De manh\u00e3 o trem misto (carga e passageiros), que ligava S\u00e3o Francisco a Porto Uni\u00e3o, com conex\u00f5es para Curitiba ao leste, S\u00e3o Paulo ao norte e Porto Alegre ao sul, se incumbia de levar as cartas do &#8220;Correio&#8221; para seus destinos.<\/p>\n<p>A caracter\u00edstica do \u00f4nibus da Auto Via\u00e7\u00e3o Catarinense que fazia esta linha era &#8220;sui generis&#8221;: chamava a aten\u00e7\u00e3o a carroceria especial, metade para passageiros, com 12 lugares, e metade (a de traz) fechada, para abrigar as malas postais.<\/p>\n<p>A Rodovi\u00e1ria de Blumenau ainda se situava na Rua 7 de Setembro, esquina com a Rua Padre Jacobs, mas o &#8220;Correio&#8221; tinha como destino a ag\u00eancia do Correio no in\u00edcio da Alameda Rio Branco, em frente ao Cine Busch, onde descarregava as cartas e encomendas destinadas a Blumenau, e carregava as malas postais daqui para outros destinos. Depois seguia em frente, noite afora, levantando poeira&#8230; rumo \u00e0 sinuosa Serra de Jaragu\u00e1.<\/p>\n<p>Estas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o baseadas em lembran\u00e7as; por isto, e para ajudar na reconstitui\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, se algu\u00e9m que tamb\u00e9m viveu estes fatos, e sabe de mais detalhes, por favor colabore, enviando suas mem\u00f3rias para este blog. Elas ser\u00e3o incorporadas ao texto na forma de adendos.<\/p>\n<h3>CURIOSIDADES<\/h3>\n<p>O motorista do \u00f4nibus do Correio pisava fundo&#8230; Se voc\u00ea, noite fechada, precisasse aquela condu\u00e7\u00e3o (foi algumas vezes o meu caso), a recomenda\u00e7\u00e3o dos ribeirinhos das estradas era firme:<\/p>\n<p>&#8211; Te joga na frente do \u00f4nibus, sen\u00e3o ele n\u00e3o para!<\/p>\n<p>E era verdade. N\u00e3o sei se a instru\u00e7\u00e3o era para n\u00e3o parar no meio do trajeto, e somente nas ag\u00eancias do Correio, ou se era &#8220;pirra\u00e7a&#8221; do motorista; mas ele fazia de tudo para n\u00e3o parar.<\/p>\n<p>Algumas vezes eu estava em Ilhota, l\u00e1 por volta de 1964, onde t\u00ednhamos arrendado o Cine S\u00e3o Luiz, e quando a sess\u00e3o de cinema acabava, pouco antes das dez da noite, t\u00ednhamos que nos &#8220;jogar&#8221; em frente ao \u00f4nibus para que o motorista nos visse e parasse (50 metros a frente, tamanha era a velocidade com que ele vinha).<\/p>\n<p>Segundo dados hist\u00f3ricos da Auto Via\u00e7\u00e3o Catarinense, a linha do Correio Florian\u00f3polis-Jaragu\u00e1 teve sua origem exclusivamente por causa da parceria da transportadora com o Correio, e n\u00e3o atrav\u00e9s de concess\u00e3o do Estado, como seria normal.<\/p>\n<p>Mas deu t\u00e3o certo, que depois, mesmo com a extin\u00e7\u00e3o da linha do Correio, o trajeto continuou sendo atendido pela Catarinense, dando origem tamb\u00e9m \u00e0 linha Florian\u00f3polis\/Mafra, a qual persiste at\u00e9 hoje com v\u00e1rios hor\u00e1rios e demanda satisfat\u00f3ria.<\/p>\n<p>* Texto acima \u00e9 da autoria do jornalista e escritor Carlos Braga Mueller publicado no blog do <a href=\"http:\/\/adalbertoday.blogspot.com.br\/2013\/02\/o-onibus-do-correio.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Adalberto Day<\/a>.<\/p>\n<div data-carousel-extra='{&quot;blog_id&quot;:1,&quot;permalink&quot;:&quot;https:\/\/www.kanenberg.com.br\/familia\/onibus-do-correio\/&quot;}' id='gallery-1' class='gallery galleryid-274 gallery-columns-3 gallery-size-medium'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.kanenberg.com.br\/familia\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/correio_3.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"199\" 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Correio\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure>\n\t\t<\/div>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos que n\u00e3o haviam linhas de \u00f4nibus regulares, muitos viajavam com o \u00f4nibus dos 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