A pinguela
A famosa ponte pênsil de Pomerode fica na Rua Johanes Roedel, ligando-a à Rua Luiz Abry. Popularmente chamada de “Pinguela do Schmidt“, a travessia ganhou esse apelido porque, ao que tudo indica, contou com a participação direta da própria Porcelana Schmidt em sua construção para facilitar o acesso de seus funcionários. Na época, ainda não existia a Ponte do Milnitz (na Rua Castelo Branco).
Fundada em 1945, a Porcelana Schmidt faz parte da identidade da nossa cidade. Houve um tempo em que poucos moradores de Pomerode não haviam trabalhado lá ou não tinham algum familiar na empresa. Até meados da década de 1970, a cidade contava com poucos trechos de iluminação pública e, sem a ponte da Castelo Branco, os trabalhadores precisavam fazer um trajeto muito mais longo — quase sempre de bicicleta, o principal meio de transporte da época. A instalação da ponte pênsil resolveu esse problema.
Falando em bicicletas, muitos ainda se lembram do enorme bicicletário da Porcelana, que ficava na Rua Luiz Abry e infelizmente já não existe mais. Nos tempos em que eu visitava meus avós maternos na Rua Dr. Ewers — ou mesmo quando apenas passava por ali —, adorava atravessar a ponte pênsil. Para mim, aquilo era uma verdadeira aventura!
Quem foi Lauro Guilherme Augusto Rahn?
Embora conhecida popularmente pelo nome da empresa, o nome oficial da estrutura é Ponte Pênsil Lauro Guilherme Augusto Rahn.
Nascido em 27 de maio de 1924 no bairro Testo Alto, em Pomerode, Lauro era filho de Elsa Rahn. Criado pelos avós maternos, o Sr. Wilhiam Rahn e sua esposa, começou sua vida profissional na roça como agricultor. Em 13 de dezembro de 1947, casou-se com Irma Raduenz Rahn, com quem teve seis filhos: Siegfried, Ursula, Dietrich, Crista, Lauro Guilherme e Ruth.
Pouco depois do casamento, começou a trabalhar na Indústria de Porcelanas Schmidt nos altos-fornos (caldeira). A função exigia extrema responsabilidade para manter a caldeira sempre ativa, o que não lhe permitia ter horários rígidos nem usufruir de folgas em domingos e feriados. Posteriormente, foi promovido a motorista de caminhão e trator no pátio da empresa. Paralelamente, atuou na serraria de seu avô junto de seu irmão de criação, Wilhelm Rahn, além de ter construído casas de aluguel que mais tarde foram doadas aos filhos. Sempre zelou pela união familiar e por suprir todas as necessidades de sua casa — um aprendizado que os filhos retribuíram ao longo da vida.
Em 1980, mudou-se para o Centro da cidade, onde continuou sua lida como agricultor. Morava exatamente ao lado da ponte pênsil e dedicou anos da sua vida à manutenção voluntária da estrutura: pintava, trocava tábuas, lixava as partes de ferro e removia a ferrugem. Ele sempre pedia aos filhos que nunca deixassem aquele patrimônio se deteriorar ou sofrer com o vandalismo, pois a considerava uma via fundamental para a travessia de pedestres e ciclistas.
O Sr. Lauro também foi um grande esportista, atuando como jogador e juiz de futebol na região norte de Pomerode, além de ter sido presidente do antigo Internacional Municipal de Futebol e sócio benemérito da Sociedade Ipiranga. Amante da natureza, gostava de criar e alimentar periquitos e pombos ao ar livre no pátio de sua casa.
Exemplo de pai e avô querido, manteve-se como eleitor ativo até os 72 anos. Faleceu em 28 de julho de 1999, aos 75 anos, em decorrência de complicações digestivas (câncer de estômago), e está sepultado no cemitério de Testo Alto II.
Abaixo, um registro em foto da ponte pênsil do ano de 1973 do acervo de Valério Romig: