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Pomerode antes de ser Pomerode

Muito antes de se tornar o município que conhecemos hoje, Pomerode era o distrito de Rio do Testo, pertencente ao município de Blumenau. Foi nesse cenário, ainda marcado pelas características de uma comunidade rural formada por imigrantes e seus descendentes, que a história da futura cidade começou a ganhar forma.

As fotografias antigas têm um valor especial justamente por nos permitirem voltar no tempo e observar aquilo que os documentos escritos muitas vezes não conseguem revelar: as paisagens, as construções, os caminhos, o trabalho e o cotidiano das pessoas que ajudaram a construir uma comunidade.

As duas imagens apresentadas neste post fazem parte do Acervo Fotográfico do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (IHGSC) e são verdadeiros registros de um passado que merece ser preservado. Uma delas apresenta uma vista panorâmica do antigo distrito de Rio do Testo, mostrando a paisagem rural, as edificações e a igreja que se destacava em meio à comunidade. A outra registra uma cena ainda mais singular: a construção de um “boeiro” no logar Rio do Testo, revelando o trabalho braçal e as técnicas utilizadas na implantação da infraestrutura daquela época.

A primeira fotografia está catalogada pelo IHGSC sob o número IHG-FOT-4775 e é atribuída ao fotógrafo H. A. Antweiler, de Blumenau. A segunda, catalogada como IHG-FOT-3542, é datada aproximadamente entre 1890 e 1920 e tem como autoria August Schmidt Photograf., de Blumenau. Ambas pertencem à Família Boiteux, cuja coleção integra o acervo do Instituto.

São, portanto, muito mais do que fotografias antigas. São fragmentos visuais da história de Pomerode, testemunhos de um tempo em que a cidade ainda estava sendo construída — não apenas em suas estradas e edificações, mas também na vida de suas famílias e na formação da comunidade.

Olhar para essas imagens é, de certa maneira, olhar para as origens de Pomerode e imaginar como era aquele lugar antes que o nome da cidade, tal como conhecemos hoje, existisse.

Fonte das fotografias: Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina – IHGSC, Acervo Fotográfico.

Cartão-postal fotográfico – Vista panorâmica

Vista panorâmica do distrito de Rio do Testo, atual cidade de Pomerode (frente)
Verso do cartão-postal

Vista panorâmica e em perspectiva da paisagem rural de Pommeroda (atual município de Pomerode), antigo distrito de Rio do Testo pertencente a Blumenau, no estado de Santa Catarina.

Em primeiro plano, a composição apresenta um terreno agrícola plano delimitado por cerca de madeira, composto por áreas de cultivo e animais pastando no campo situado à direita. No plano médio, sobressai à esquerda a edificação da Igreja Evangélica de Confissão Luterana, símbolo da fé e da formação cultural da comunidade de imigrantes alemães e pomeranos no Vale do Itajaí, caracterizada por sua nave retangular e torre única esguia arrematada por agulha piramidal. Do lado direito, alinha-se um conjunto de habitações rurais e galpões de arquitetura tradicional cercados por áreas de pastagem.

No plano de fundo, o cenário é dominado pela encosta íngreme de um morro totalmente recoberto por densa floresta de mata atlântica nativa sob o céu claro. Na margem inferior da moldura do cartão-postal, consta impressa em caracteres escuros a legenda “ESTADO de STA. CATHARINA.”.

Construção de um boeiro no logar Rio do Testo

Construção de um boeiro no logar Rio do Testo

Cena histórica de engenharia primitiva voltada ao desenvolvimento da infraestrutura colonial no Vale do Itajaí, retratando de forma detalhada a “Construção de um boeiro no logar Rio do Testo. (Pomerode)”. A captura ocorre no interior de uma profunda escavação realizada entre duas grandes encostas verticais de terra batida, onde a estrutura de escoamento é edificada de modo artesanal por meio do encaixe manual de pedras brutas e talhadas. No centro e plano médio desse corte geográfico, cinco trabalhadores masculinos posicionam-se em diferentes níveis da obra trajando vestuários típicos do final do século XIX e início do século XX, que compreendem camisas claras de mangas compridas, coletes escuros, calças de trabalho robustas, botas, chapéus de abas largas e boinas. Três operários encontram-se diretamente sobre ou junto à estrutura de alvenaria de pedra em primeiro plano, portando ferramentas manuais de escavação e manejo, como pás e longos cabos de madeira, enquanto outros dois indivíduos observam o progresso a partir de patamares elevados nas paredes de terra ao fundo.

A organização espacial da cena evidencia a complexidade e a rusticidade do trabalho braçal da época, revelando diversas pranchas, vigas e troncos de madeira dispostos diagonalmente ao longo do fosso para atuar como passarelas de movimentação ou escoras de sustentação contra possíveis desmoronamentos. Entre os dois grandes maciços de terra escavados, a perspectiva visual estende-se em direção ao plano de fundo, onde se descortina um vale aberto composto por áreas de vegetação rasteira e clareiras que sobem em direção às cumeeiras dos morros, os quais aparecem densamente cobertos por mata fechada sob um céu claro de alta luminosidade. A iluminação natural incide de forma direta na abertura do terreno, acentuando as texturas rugosas das rochas empilhadas, o aspecto poroso das barreiras de terra e as feições dos colonos que atuavam no antigo Distrito do Rio do Testo, território que na ocasião integrava o município de Blumenau.

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